Primeiro passo: as regras são da companhia aérea

No Brasil, o transporte aéreo de animais de estimação segue a Portaria ANAC nº 17.476/SAS, de julho de 2025. Segundo a ANAC, nenhuma companhia é obrigada a levar pets: cada empresa decide se oferece o serviço e define se o animal vai na cabine ou no porão, o peso máximo (animal e caixa somados), o tamanho e o material da caixa, as espécies aceitas e o valor cobrado.

A empresa também pode limitar o número de animais por voo ou recusar o transporte por questões de espaço e segurança. Por isso, antes de comprar a passagem, leia as regras da companhia, confirme que há vaga para o pet naquele voo e guarde a confirmação por escrito.

Cabine ou porão: o que muda para o pet

Na cabine, o pet viaja numa bolsa ou caixa sob o assento à frente, perto do tutor, que é o responsável por ele durante o voo. Costuma ser opção apenas para animais pequenos, dentro do limite de peso da companhia.

No porão, o animal é despachado e passa o voo longe do tutor, num ambiente com barulho, vibração e menos acompanhamento. Para alguns pets isso é bem tolerado; para outros, é estressante. Vale conversar com a veterinária sobre qual formato é mais adequado para o seu cão ou gato, e se a viagem faz sentido para ele.

Focinho curto e outras situações que pedem mais cuidado

Cães e gatos de focinho curto, como buldogues, pugs, shih-tzus e gatos persas, respiram com mais dificuldade por causa da anatomia e são mais sensíveis a calor, estresse e mudanças no ar. A RSPCA, entidade australiana de bem-estar animal, recomenda que esses animais só viajem de avião quando for estritamente necessário, e muitas companhias no mundo já restringem o transporte deles no porão.

Filhotes muito novos, pets idosos e animais com alguma condição de saúde em acompanhamento também merecem uma conversa antes da decisão. Nesses casos, quem avalia se a viagem é segura é a médica-veterinária, olhando o histórico do pet.

Documentos para voos dentro do Brasil

Para viagens nacionais, o Ministério da Agricultura informa que cães e gatos não precisam de GTA (Guia de Trânsito Animal), mas é obrigatório levar um atestado de saúde emitido por médico-veterinário inscrito no CRMV. Leve também a carteira de vacinação com a vacina contra a raiva em dia. O modelo de atestado do Ministério tem validade de 10 dias.

As companhias podem pedir prazos e documentos próprios, então confira a lista da empresa antes de marcar a consulta. Viagens para fora do país têm outras exigências, que dependem do destino e podem levar meses; veja o artigo sobre viagem internacional com pets.

A consulta antes do voo

A RSPCA recomenda levar o pet ao veterinário pelo menos um mês antes de uma viagem aérea, para avaliar se ele está apto a voar, e fazer uma nova checagem na semana do embarque. Na consulta, a veterinária revisa vacinas e controle de parasitas, examina o pet e conversa sobre medo, enjoo e o histórico dele.

Não dê calmante nem remédio para dormir por conta própria. A sedação muda a respiração e a pressão do animal e pode ser arriscada, principalmente nas raças de focinho curto. Se o seu pet fica muito ansioso em deslocamentos, leve essa preocupação para a consulta: a conduta é individual.

Acostumar o pet à caixa ou à bolsa

Semanas antes da viagem, deixe a caixa ou bolsa de transporte aberta em casa, com uma manta que tenha o cheiro da família. Ofereça petiscos e brincadeiras perto dela e dentro dela, sem forçar a entrada. Quando o pet entrar sozinho e ficar tranquilo, feche a porta por poucos minutos e aumente o tempo aos poucos.

Depois, faça trajetos curtos de carro com ele na caixa. Um pet que já conhece a bolsa como um lugar seguro costuma enfrentar o aeroporto com bem menos estresse.

No dia do voo

Chegue ao aeroporto com antecedência. Na inspeção de segurança, segundo a ANAC, o animal é retirado da caixa e passa pelo detector de metais ou por busca manual; apenas a caixa vai ao raio-X, nunca o animal. Por isso, deixe o pet com peitoral e guia bem ajustados antes de abrir a caixa: um gato assustado pode tentar fugir.

Pergunte à veterinária qual o melhor horário para a última refeição antes do voo e leve água. Durante a viagem, siga as orientações da tripulação, que fazem parte das regras de segurança do transporte.

Depois da viagem: quando procurar avaliação

É comum o pet chegar cansado e dormir mais no primeiro dia. Mas, se ele apresentar respiração difícil ou ofegante fora do normal, vômitos ou diarreia que não passam, recusa de comida ou apatia, procure avaliação veterinária. Não tente decidir sozinho se é algo passageiro.