Antes de reservar: o seu pet vai curtir a viagem?
A primeira pergunta não é sobre a mala, é sobre o pet. Cães que adoram passeio e novidade costumam se adaptar bem. Já muitos gatos são muito apegados ao território e sentem bastante a mudança de casa, mesmo por poucos dias. Pets idosos, ansiosos ou em tratamento também merecem uma conversa antes.
Se a viagem fizer sentido, confirme com o lugar onde vocês vão ficar: ele aceita pets? De qual espécie e porte? Há regras de condomínio, áreas onde o pet não pode entrar ou taxa extra? Se a conclusão for que o pet fica melhor em casa, tudo bem: há boas alternativas, como pet sitter ou hospedagem.
A consulta antes da viagem
O ideal é marcar a consulta algumas semanas antes de viajar. Assim dá tempo de:
- Conferir as vacinas, especialmente a antirrábica, que é a mais cobrada em viagens.
- Ajustar a prevenção de parasitas ao destino: praia, serra e áreas de mata podem ter mais carrapatos, pulgas ou mosquitos do que o bairro onde o pet vive.
- Falar sobre enjoo e ansiedade no trajeto. Não dê calmante ou remédio por conta própria: segundo a Associação Médica Veterinária Americana (AVMA), sedativos podem aumentar o risco de problemas cardíacos e respiratórios, e as companhias aéreas costumam não aceitar pets sedados.
- Emitir o atestado de saúde, quando ele for necessário, dentro do prazo que a companhia ou o destino pedir.
Cães de focinho curto (como buldogues, pugs e shih-tzus) pedem atenção extra, principalmente em viagens de avião e em dias quentes, porque respiram com mais dificuldade. Vale discutir com a veterinária se a viagem é segura para ele.
Documentos para viajar dentro do Brasil
Para viagens nacionais, a orientação do Ministério da Agricultura é levar a carteira de vacinação com a vacina antirrábica em dia e um atestado de saúde emitido por médico-veterinário com registro no CRMV. Leve os dois mesmo indo de carro: eles podem ser pedidos na hospedagem ou numa fiscalização, e ajudam se o pet precisar de atendimento longe de casa.
De avião, as regras dependem da companhia. Segundo a ANAC, as empresas não são obrigadas a transportar animais de estimação e cada uma define se o pet vai na cabine ou no porão, o tamanho e o tipo da caixa de transporte, o peso máximo e as taxas. Antes de comprar a passagem, confirme na companhia os documentos, o prazo mínimo da vacina antirrábica e a validade do atestado.
E não esqueça a identificação: plaquinha na coleira com o seu telefone e, se o pet tiver microchip, o cadastro com os seus dados atualizados. Num lugar desconhecido, uma fuga é mais difícil de resolver.
O que levar na mala do pet
- A ração de sempre, na quantidade dos dias de viagem e mais um pouco. Trocar a alimentação de repente pode causar desconforto, e nem todo destino vende a mesma marca.
- Potes dobráveis e água para o trajeto.
- Guia, coleira ou peitoral com identificação, e uma guia reserva.
- Caixa de transporte que o pet já conheça. Deixe-a aberta em casa nos dias anteriores, com uma manta dentro, para ele se acostumar.
- Caminha ou manta com cheiro de casa e o brinquedo favorito.
- Para gatos: caixa de areia e a areia que ele já usa.
- Saquinhos para recolher as fezes, toalha e lenços para limpar as patas.
- Medicamentos de uso contínuo, se houver, na quantidade certa e com a receita.
- Documentos e contatos: carteira de vacinação, atestado, uma foto recente do pet e o telefone de uma clínica veterinária perto do destino, pesquisada antes de sair.
No destino: ajudando o pet a se adaptar
Chegou? Antes de soltar o pet, dê uma volta pelo espaço. Veja se há piscina sem proteção, portão aberto, varanda ou janela sem tela (essencial para gatos), plantas e produtos de limpeza ao alcance.
Depois, apresente a casa aos poucos e monte logo um cantinho com a cama, a água e, para o gato, a caixa de areia. Tente manter os horários de comida e passeio parecidos com os de casa: rotina é o que dá segurança ao pet num lugar novo. Nos primeiros dias, evite deixá-lo sozinho por muito tempo.
Em dia de calor, passeie cedo ou no fim da tarde, ofereça sombra e água fresca e nunca deixe o pet dentro do carro parado.
Quando procurar avaliação
Se durante ou depois da viagem o pet passar a vomitar com frequência, recusar comida, ficar muito prostrado, ofegar sem parar ou mostrar qualquer mudança que preocupe você, procure atendimento veterinário, mesmo longe de casa. É para isso que vale ter o contato da clínica do destino anotado.
E na volta, se algo mudou no comportamento ou na saúde do seu pet, conte na próxima consulta. Isso ajuda a planejar melhor a viagem seguinte.
