Por que os mosquitos aparecem mais nesta época
Mosquitos gostam de calor, umidade e água parada. Em Florianópolis, a primavera e o verão juntam as três coisas: temperaturas mais altas, pancadas de chuva e quintais com vegetação. É quando o número de insetos aumenta e, com ele, a chance de o seu cão ou gato ser picado.
Nem todo inseto que pica é igual. Dois deles merecem atenção de quem tem pet na Ilha: o mosquito-palha, um inseto bem pequeno, de voo baixo e saltitante, que transmite a leishmaniose, e os mosquitos comuns (como os dos gêneros Aedes e Culex), que podem transmitir a dirofilariose, conhecida como “verme do coração”.
Leishmaniose: o que o tutor da Ilha precisa saber
A leishmaniose visceral é causada por um protozoário e passa para cães e pessoas pela picada da fêmea do mosquito-palha infectado. Segundo o Ministério da Saúde, nas áreas urbanas o cão é o principal reservatório do parasita. Por isso, cuidar do cão também é cuidar da família.
Santa Catarina ficou muitos anos sem registros da doença, mas em 2010 surgiram os primeiros casos em cães que nunca tinham saído de Florianópolis, na região da Lagoa da Conceição. Desde então, a doença é acompanhada por pesquisadores e pela vigilância em saúde.
Um ponto que surpreende muitos tutores: boa parte dos cães infectados não mostra sinal nenhum por um bom tempo. Quando os sinais aparecem, podem se parecer com os de outras doenças, como emagrecimento, desânimo, perda de pelo (às vezes ao redor dos olhos), feridas que descamam no focinho e nas orelhas e unhas crescendo mais que o normal. Nenhum desses sinais fecha diagnóstico sozinho, e só exames indicados pela médica-veterinária confirmam ou descartam a doença.
Dirofilariose, o “verme do coração”
A dirofilariose é causada por um verme que vive no coração e nos vasos do pulmão. O mosquito pica um animal infectado, carrega as larvas e as passa adiante na próxima picada. A larva leva meses para virar verme adulto, então o problema costuma ser silencioso no começo.
O litoral brasileiro concentra boa parte dos casos, e estudos já encontraram o parasita em cães da Ilha de Santa Catarina, inclusive na região da Lagoa da Conceição. Levantamentos mais recentes indicam uma presença menor em Florianópolis, mas ela não chegou a zero.
No cão, os sinais mais comuns são tosse leve e persistente, cansaço nos passeios e perda de apetite ou de peso. Gatos também podem ser afetados: neles, os sinais podem lembrar uma crise respiratória ou aparecer como vômito e emagrecimento. Não existe vacina contra a dirofilariose, e a prevenção é a forma de proteger cães e gatos.
Em casa: como reduzir os mosquitos no quintal
A primeira barreira não está no pet, está no ambiente. Algumas medidas simples ajudam muito:
- Acabe com a água parada: pratinhos de vaso, baldes, calhas, pneus e brinquedos esquecidos no quintal viram criadouro.
- Troque e lave o bebedouro do pet todo dia: água fresca é melhor para ele e não dá tempo de o mosquito usar.
- Recolha folhas, frutas caídas e fezes: o mosquito-palha se cria em matéria orgânica úmida, não em água limpa. Quintal limpo e com sol no chão ajuda bastante.
- Use telas finas em janelas e portas, principalmente nos cômodos onde o pet dorme.
- Fique de olho no fim da tarde e à noite: é o horário em que o mosquito-palha mais pica. Se o seu cão dorme fora, vale conversar sobre trazê-lo para dentro nesse período.
Proteção no pet: sempre com orientação
Existem formas de proteção direta para cães e gatos, como produtos repelentes de uso veterinário, a prevenção contra a dirofilariose e, no caso da leishmaniose, uma vacina para cães. Cada uma tem indicação, idade mínima e cuidados próprios, e algumas exigem exames antes de começar. Por isso, a escolha é feita na consulta, depois de avaliar o seu pet.
Dois cuidados valem para todo mundo:
- Não use no pet repelente feito para pessoas. Alguns ingredientes que são seguros para nós não são para eles.
- Nunca use em gato um produto feito para cão. Algumas substâncias toleradas pelos cães são perigosas para os gatos.
Na consulta em casa, a Dra. Fernanda também consegue olhar o quintal e a rotina do pet, como onde ele dorme, onde fica o bebedouro e se há mata por perto, o que ajuda a montar um plano de prevenção que faça sentido para a sua realidade.
Quando procurar avaliação
Se você notar no seu pet emagrecimento sem explicação, desânimo, tosse que não passa, cansaço fora do comum nos passeios, perda de pelo ou feridas que não cicatrizam, não espere melhorar sozinho. Esses sinais podem ter muitas causas, e só a avaliação veterinária consegue investigar. Agende uma consulta para que o seu pet seja examinado.
E mesmo sem sinal nenhum, a primavera é um bom momento para conversar sobre prevenção: quais exames fazem sentido, que proteção usar e como encaixar tudo na rotina da casa.
