Antes da chegada: prepare a casa

Separe um cômodo tranquilo para o recém-chegado, com comida, água, cama, esconderijos e, se for gato, caixa de areia. O pet da casa continua com o espaço dele e com a rotina de sempre: mesmos horários, mesmos lugares de comer e dormir. Mudar tudo ao mesmo tempo aumenta o estresse de quem já morava ali.

Antes de juntar os dois, converse com a veterinária sobre a vacinação e o controle de parasitas do novo pet, principalmente se ele veio da rua, de abrigo ou de outra cidade. Uma dica da ASPCA: depois de uma consulta fora de casa, o animal volta com cheiros diferentes, então vale mantê-lo separado por mais um dia.

Primeiro o cheiro, depois a visão

Cães e gatos se conhecem pelo cheiro antes de se verem. Nos primeiros dias, troque mantinhas ou toalhas entre os dois: deixe cada pet deitar sobre a sua por alguns dias e depois coloque-a no espaço do outro. Ofereça petiscos e brincadeiras perto da porta que os separa, para que o cheiro do novo morador fique ligado a coisas boas.

Quando os dois estiverem comendo bem, usando a caixa de areia ou o lugar de xixi normalmente e calmos com o cheiro um do outro, é hora do contato visual: por uma grade de bebê, uma porta entreaberta ou uma tela, em sessões curtas e com petiscos. Termine cada sessão enquanto ambos ainda estão relaxados.

Gato com gato: devagar e com recursos para todos

Gatos costumam precisar de mais tempo. Avance para a convivência supervisionada só quando não houver chiados nem rosnados durante o contato visual, começando com poucos minutos e aumentando aos poucos. Não segure nem empurre um gato em direção ao outro.

Em casa com mais de um gato, a ASPCA orienta ter pelo menos uma caixa de areia por gato, de preferência uma a mais, em lugares diferentes, além de comedouros, bebedouros, arranhadores e esconderijos (no chão e no alto) espalhados pela casa. Se houver briga, não use as mãos: interrompa com uma barreira, como uma almofada ou toalha grande, separe os dois com calma e volte uma etapa.

Cão com cão: terreno neutro e guia frouxa

O primeiro encontro funciona melhor num lugar que nenhum dos dois considera seu, como uma rua ou praça pouco movimentada fora do caminho habitual do passeio. Cada cão fica com uma pessoa, na guia, mantida frouxa. Caminhem lado a lado, a alguns metros de distância, e deixe que se aproximem aos poucos. Cheiradas curtas, seguidas de elogio e petisco, valem mais que um encontro longo.

Em casa, ofereça comida em lugares separados e guarde brinquedos e ossinhos nos primeiros dias, para evitar disputa. Se o novo morador for filhote, garanta ao cão mais velho um lugar para descansar longe da agitação. Se já houver mais de um cão, apresente o novo a cada um separadamente.

Cão e gato: o gato precisa de rota de fuga

Na apresentação entre cão e gato, a International Cat Care recomenda dividir a casa no começo, trocar cheiros e só então permitir o contato visual por uma barreira, como uma grade parcialmente coberta por uma toalha, enquanto os dois fazem algo agradável. Nos primeiros encontros, o cão fica de peitoral e guia frouxa, e o gato fica solto, nunca preso numa caixa de transporte.

O gato precisa sempre de um refúgio que o cão não alcance: prateleiras, móveis altos ou um cômodo com passagem só para ele. Cães com muito instinto de perseguição pedem ainda mais paciência. Nunca castigue nenhum dos dois por uma reação de medo: isso só associa o outro animal a algo ruim.

Sinais para dar um passo atrás

Interrompa a sessão e volte à etapa anterior se notar, no cão, olhar fixo, corpo rígido, pelos eriçados, rosnados ou dentes à mostra; no gato, chiados, orelhas para trás, rabo batendo ou fuga constante. O rosnado é uma forma de comunicação: brigar com o pet por rosnar pode fazer com que ele deixe de avisar antes de reagir.

Se, durante a adaptação, algum dos pets parar de comer, passar a se esconder o tempo todo, fizer xixi fora do lugar, apresentar vômitos ou diarreia, ou se as brigas continuarem, procure avaliação veterinária. Esses sinais podem ser estresse, mas também podem ter outra causa de saúde.

Quanto tempo leva

Não existe um prazo fixo. Alguns pets se acertam em poucos dias; outros precisam de semanas. A International Cat Care lembra que, mesmo com uma apresentação cuidadosa, alguns gatos simplesmente não querem dividir a casa com outro animal. Muitas vezes, o objetivo realista não é que os dois virem melhores amigos, e sim que convivam em paz, cada um com seu espaço.