Mais comum do que parece
Um estudo com 1.001 cães e gatos atendidos no Hospital de Clínicas Veterinárias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), publicado em 2022, encontrou sobrepeso ou obesidade em 38,37% dos gatos, uma proporção um pouco maior do que a dos cães (35,76%). Nos gatos, a castração e o sexo masculino apareceram associados ao excesso de peso.
Um levantamento da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, apontou na mesma direção: gatos castrados, que vivem em apartamento e se mexem pouco estavam entre os mais propensos a engordar. Vale dizer com clareza: castrar e manter o gato dentro de casa são escolhas que protegem a saúde e a segurança dele. Elas só pedem ajustes na rotina de comida e de brincadeira.
Por que o peso pesa mais no gato
Na pesquisa de Cornell, publicada nos anos 1990, gatos acima do peso tiveram cerca de 4,5 vezes mais chance de desenvolver diabetes do que gatos no peso ideal. Também apareceram mais problemas de locomoção, como dores nas articulações, e mais alterações de pele, provavelmente porque o gato pesado não alcança todas as partes do corpo para se limpar. A Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (Abev), citada pelo CRMV-PB, também lembra que gatos machos obesos estão entre os mais atingidos pelo diabetes.
Isso não significa que todo gato gordinho vá ficar doente. Significa que o peso é um dos fatores que dá para acompanhar em casa, com calma, muito antes de qualquer sinal aparecer.
Como perceber em casa
Além da conferência de costelas e cintura, que explicamos no artigo sobre peso ideal e condição corporal, alguns comportamentos chamam atenção no gato:
- Pula menos nos móveis ou procura caminhos intermediários para subir.
- Cansa rápido na brincadeira ou perde o interesse por ela.
- O pelo fica embolado ou com aspecto descuidado nas costas e perto da cauda, áreas que ele já não alcança.
- Passa a maior parte do dia deitado no mesmo lugar.
Esses sinais também podem ter outras causas, como dor. Por isso a observação vale como ponto de partida para a consulta, não como conclusão.
Por que não cortar a comida por conta própria
Aqui está o ponto que mais surpreende os tutores: no gato, emagrecer rápido é perigoso. Segundo a Universidade Cornell, um gato que passa dias comendo pouco pode acumular gordura no fígado, um quadro chamado lipidose hepática, que é sério. Por isso, um gato acima do peso nunca deve ser colocado em restrição forte por conta própria.
A perda de peso no gato precisa ser gradual, com metas e acompanhamento definidos pela médica-veterinária, que considera a idade, a saúde e a rotina de cada gato.
Antes do verão: ajustes que ajudam na rotina
Com a chegada do verão em Florianópolis, a casa costuma mudar de ritmo, e é um bom momento para rever pequenos hábitos com a veterinária:
- Refeições com horário: a Universidade Cornell aponta o pote sempre cheio, à vontade o dia todo, como um dos fatores ligados ao excesso de peso. Pergunte na consulta como organizar as refeições do seu gato.
- Brincadeira todos os dias: sessões curtas, duas ou mais vezes ao dia, com varinhas e brinquedos que imitam caça.
- Ambiente para se mexer: prateleiras, arranhadores e esconderijos estimulam o gato a subir e explorar. Veja ideias no artigo sobre enriquecimento do ambiente.
- Petiscos contam: eles entram na conta do dia e podem fazer diferença no peso.
- Água fresca sempre disponível, em mais de um ponto da casa, ainda mais nos dias quentes.
Na consulta em casa, o gato não precisa entrar na caixa de transporte nem enfrentar o trânsito. A Dra. Fernanda Teo, com mais de 14 anos de experiência clínica com cães e gatos, avalia o peso e a condição corporal e vê de perto onde ele come, brinca e descansa, o que ajuda a montar um plano possível para a rotina da família.
