O que é o diabetes no cão, em poucas palavras
No diabetes, o organismo deixa de aproveitar bem o açúcar que circula no sangue. Esse açúcar sobra no sangue e acaba saindo pela urina, levando água junto. O resultado aparece na rotina da casa: mais xixi, mais sede e um corpo que, mesmo recebendo comida, não consegue usar essa energia como deveria.
O dia 14 de novembro é o Dia Mundial do Combate ao Diabetes, e o Conselho Regional de Medicina Veterinária da Paraíba (CRMV-PB) aproveita a data para lembrar que cães e gatos também podem ter a doença. Segundo a Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (Abev), citada pelo conselho, estima-se que 1 em cada 100 cães que chegam aos 12 anos desenvolva diabetes.
Os sinais que aparecem em casa
Os sinais costumam surgir aos poucos, ao longo de semanas ou meses, e por isso é fácil se acostumar com eles. Os principais apontados pelo CRMV-PB são:
- Beber mais água: o pote precisa ser reabastecido mais vezes do que antes.
- Fazer mais xixi: o cão pede para sair com mais frequência, acorda à noite para urinar ou faz xixi fora do lugar, mesmo já sendo educado.
- Comer mais: parece estar sempre com fome e termina a refeição rápido.
- Emagrecer mesmo comendo bem: as costelas ficam mais fáceis de sentir ou a coleira fica folgada.
Um estudo do sul do Brasil citado em trabalho da UFRGS mostrou que, entre cães diagnosticados com diabetes, o aumento do xixi foi a queixa mais relatada pelos tutores (85% dos casos), seguido do aumento da sede (64%). Ou seja: muitas vezes quem percebe primeiro é quem limpa o tapete ou enche o pote de água.
A idade de atenção: dos 7 aos 9 anos
Os dados reunidos pelo CRMV-PB mostram que a doença pode surgir no cão dos 4 aos 14 anos, mas a faixa com mais casos fica entre os 7 e os 9. As cadelas adoecem mais ou menos o dobro dos machos, principalmente as que não foram castradas. O excesso de peso também está entre os fatores de risco descritos pela Associação Americana de Hospitais Veterinários (AAHA).
Isso não quer dizer que todo cão nessa idade vá ter diabetes. Quer dizer que, a partir da meia-idade, mudanças em sede, xixi, apetite e peso merecem ser levadas a sério e comentadas na consulta, em vez de explicadas como “coisa da idade”.
Por que esses sinais passam despercebidos
Em Florianópolis, novembro já traz dias quentes, e no calor é esperado que o cão beba mais água. Um cão que come bem também costuma ser visto como um cão saudável. As duas ideias fazem sentido, e é justamente por isso que os sinais do diabetes se escondem nelas.
O que ajuda é comparar o cão com ele mesmo: a sede aumentou e continua alta mesmo em dias frescos? O apetite cresceu e o peso caiu ao mesmo tempo? Quando dois ou mais sinais aparecem juntos, ou quando uma mudança se mantém, o caminho é a avaliação veterinária, sem tentar descobrir a causa sozinho.
O que observar e anotar antes da consulta
Algumas anotações simples deixam a consulta mais produtiva:
- Quantas vezes por dia você completa o pote de água (vale marcar o nível do pote pela manhã e à noite).
- Quantas vezes o cão pede para sair para urinar, e se começou a acordar à noite para isso.
- Se o apetite mudou e desde quando.
- O peso, se houver como pesar, ou fotos de lado e de cima para comparar com meses anteriores.
- Qualquer outra mudança: menos disposição, mais sono, alterações nos olhos ou no pelo.
Com essas informações, a médica-veterinária examina o cão e define o que precisa ser investigado. O CRMV-PB lembra que, quanto mais cedo o diabetes é descoberto, maiores as chances de sucesso no tratamento, e o acompanhamento passa a fazer parte da rotina. Na consulta em casa, a Dra. Fernanda Teo, com mais de 14 anos de experiência clínica com cães e gatos, observa o pote de água, o lugar do xixi e a rotina onde eles acontecem.
